segunda-feira, 24 de maio de 2010

Primeiro verdadeiro prazer


Eu tinha pouco mais de 16 anos. Ele me hipnotizou naquela noite. Aqueles olhos... Sequer me disse o nome. Apenas me levou até o carro com o olhar.

Pele morena clara que chamava para o toque, um olhar pervertido e um sorriso libertino, esse era o conjunto daquele homem tão desconhecido e enigmático.

Eu era uma menina. Inocente ainda. Mas com necessidades de mulher, de um prazer que ainda não havia experimentado com totalidade. As contadas experiências que tive foram prazerosas, porém, sem uma totalidade que eu sabia que existia, mas que com minha cabecinha de menina nem imaginava de que intensidade se tratava.

Quando vi estava num quarto, com um homem que eu nem conhecia, sequer sabia o nome.

Só me lembro de entrar no carro, olhar para ele e perguntar:

- Você vai me bater? - falei com necessidade daquilo.

- Você gosta de apanhar? - ele ficou surpreso. Imagino que não só pelo fato de eu pedir para apanhar, mas por ser uma menina pedindo para apanhar.

- Eu adoro apanhar.

- Podemos fazer um trato. Eu te bato, se você me deixar fazer o que há de mais proibido com você. Possuí-la da forma mais incomum. Que acha?

- Gostei. Quero as duas coisas ao mesmo tempo. – respondi com a certeza de que o mais sórdido seria bem vindo na minha inexperiência.

- Combinado.

Em seguida estava ali totalmente a mercê do medo e da vontade. Ele era contrastante, parecia tão acolhedor e temível ao mesmo tempo.

- Como se chama menininha?

- Coré, e você?

- Chame-me apenas de Senhor.

- Sim Senhor – respondi num impulso.

Fiquei curiosa quanto ao nome, mas deixei passar. Senhor... combinava tão bem com a forma que ele me olhava. Era possuidor de uma transparente altivez e de tudo à sua volta. Ao mesmo tempo tinha uma calma e delicadeza que me atraíam como num aconchego. Possuía-me naquele momento. De onde era? O que fazia? Porque me levou para lá? Porque eu?

Senti o hálito quente no rosto seguido de um beijo que me fez perder o chão. Ele me beijava como se quisesse tirar algo de mim, intercalando o selvagem com o delicado, pegando os meus cabelos com firmeza para moldar meus movimentos ao seu beijo. Me fazia arrepiar com todos aqueles movimentos de um maestro. Não era o ato, mas a forma que ele me manipulava num simples beijo. Me deixava sem ar e com as pernas trêmulas.

Fui interrompida nos devaneios das minhas sensações quando senti um golpe no rosto. Sem tempo para entender fui empurrada para a cama com força e despida com rapidez. Mas, o que fazer, já estava ali, queria fugir e queria ficar. Ele me fez ter certeza de querer ficar quando se despiu e começou a acariciar meu corpo com delicadeza, invadindo o que eu tinha de mais íntimo com posse. E deferindo os golpes que eu nem imaginava serem tão intensos, e eram. Doíam, me davam prazer, me faziam ver um infinito de prazer sincronizado com movimentos do Senhor do prazer que ele se mostrava ser. Ali estava o que eu procurava! O Divino e o profano num só ato, numa só sensação! Me fazendo explodir num êxtase tão inocente, puro, completo. Uma perfeição, parecia um sonho. Teria sido?...

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