Deito-me na cama e olho-me no espelho. Pergunto para o rosto refletido, quais serão as sensações agora?
Ele vem por trás e me cobre com seu corpo quente, me beijando as costas como uma preparação para o que vira. Fico mais sensível ainda quando o sinto subindo com os lábios pelo meu pescoço da forma que apenas ele sabe como eu gosto me fazendo contorcer o corpo e encontrar sua boca macia e suculenta, que me faz querer nunca mais parar de degustar seu sabor. Rendo-me ao encaixe do seu corpo e da sua boca. Nosso olhar se encontra no espelho e neles vejo um uma vontade compatível com a minha necessidade. Há algo nele e nesse olhar que apesar do receio momentâneo que me causa, me completa e me equilibra.
Ele sorri maliciosamente mostrando-me a venda. Deixando claro que nessa surra eu não terei nem o controle de preparar-me para a dor, o que me deixa assustada, porém, curiosa sobre a sensação.
Não tenho nenhum controle. Nenhuma defesa. Só existe um caminho; a entrega verdadeira ao chicote e a aceitação da dor sem reservas.
Ele me coloca a venda, libertando-me do meu controle, libertando-me para o mergulho numa imensidão escura e desconhecida, testando minha confiança e minha submissão. Agora não vejo mais o subir e descer do chicote.
Afundo o rosto no colchão com mais vontade que receio da dor que vem a seguir.
E impossível ficar preparada para a dor, a não ser, sentindo necessidade dela. Simplesmente sei que ela vem, mas ainda assim e impossível estar prevenida. Não o vejo. Não vejo o chicote.
O passeio do chicote pelo meu pescoço descendo pelas minhas costas e para o meio das minhas pernas me causa arrepios em todo o corpo. O cheiro forte do couro aguça a minha vontade e o toque a principio leve e aveludado dos gomos do chicote descompassa as batidas do meu coração.
Ser privada do sentido da visão me deixa mais sensível a caricia enquanto ouço bem baixinho sua voz dizendo que gosta que eu seja sua escrava, que gosta de cuidar de mim e que por isso me presenteara com o prazer que tem em me chicotear.
O estalar do chicote nas minhas costas faz-me voltar à realidade. Então me pergunto, porque essa dor que me e provocada me acaricia o prazer e alivia uma angustia que existe em mim, como remédio? Como posso sentir tanto prazer nesta dor? Que parte do meu corpo é essa que se alimenta da minha dor com tanta voracidade?
O meu prazer vem do seu prazer em me bater, do prazer com que ele manipula o chicote nas minhas costas. O seu prazer me alimenta e me basta.
Sinto-me uma mulher de verdade, por ter a liberdade e escolher estar debaixo do chicote e do seu domínio, por ser escrava e me submeter por vontade.
Ele me chicoteia com prazer porque sou sua. Sou sua puta, sua escrava, sua mulher, seu brinquedo, sou sua gueixa, sou sua, apenas sua, completamente sua e independente do meu querer pertenço eternamente.
Essa prisão a qual me submeto não tem carta de alforria. Não existe alforria para uma alma entregue e submissa. Não existe alforria para quem se entrega à escravidão por prazer e por uma vontade livre.
Ele desce o chicote com toda força, sem piedade, sem remorso, sem motivos, simplesmente pelo prazer de ter-me ali sob seu domínio, disponível para suas mais sórdidas perversões. Por instantes penso que não suportarei. O chicote parece ser erguido ainda com maior prazer, porque desce sempre mais forte, provocando dor ainda mais intensa. Por instantes ouço apenas sua respiração e fico em dúvida se a surra acabou, mas ele não cessa enquanto não houver em meu corpo um espaço sem marca. Sinto como se minha carne estivesse sendo cortada, mas, ao sentir a próxima chicotada ainda mais forte, sei que o seu prazer cresce junto a minha dor e isso é um motivo momentâneo para aliviar minha aflição, porque sei que ele não cessará a surra até que esteja completamente satisfeito e que dos meus olhos saiam lágrimas. Lágrimas que não são so de dor, são de prazer intenso, de paixão, de um amor e devoção que me mantém com um encantamento indescritível sob o chicote, sob o seu domínio. São lágrimas de agradecimento por ter me açoitado com tanto prazer.
A venda é tirada dos meus olhos com tanta delicadeza, que chego a duvidar que aquelas mesmas mãos me proporcionassem tão dolorosas chicotadas.
A dor intensifica-se com as carícias que ele faz na minha pele chicoteada, enquanto me olha com certo encanto.
Beijo seu pés agradecendo-lhe o prazer de mais uma surra. Arrasto-me, completamente dócil para junto do seu peito, procurando bálsamo para minha dor. Ele me acaricia e me faz sentir amada, segura, protegida, especial. O cheiro da sua pele nessa hora acalma os meus sentidos. Abandono-me em seus braços, totalmente entregue ao carinho que sinto e ficamos em silêncio ouvindo apenas dois corações batendo, agora em harmonia.
Eu o amo. Eu o pertenço. Meu prazer e minha dor lhe pertencem.
Direitos reservado a K.F. Hannah. Proibida a reprodução sem citação do autor.
All rights reserved for K.F. Hannah. No reproduction without quoting the author.
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